Deputado Delegado Barichello cobra esclarecimentos sobre recursos da segurança pública e contas do Paraná

Durante audiência pública na Assembleia Legislativa, deputado questionou o déficit orçamentário do Estado, cobrou informações sobre despesas que poderão ficar para 2027 e criticou os resultados da segurança pública paranaense.

Na tarde desta terça-feira (13), o deputado estadual Delegado Tito Barichello (PL), líder do Bloco Parlamentar de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), cobrou esclarecimentos do secretário da Fazenda em exercício, Luiz Paulo Budal, sobre a situação financeira do Estado e os recursos destinados à segurança pública. Os questionamentos foram apresentados durante audiência pública de prestação de contas do Governo do Paraná referente ao segundo quadrimestre de 2026.

Durante a sessão, o parlamentar demonstrou preocupação com o resultado orçamentário e com a possibilidade de que compromissos financeiros assumidos pela atual administração sejam transferidos para o próximo governo, a partir de 2027. Barichello solicitou informações detalhadas sobre obras, contratos, convênios e despesas que ainda precisarão ser executados ou pagos.

“Os números que são repassados pelo próprio governo das contas públicas são, no meu compreender, extremamente preocupantes e demonstram uma situação gravíssima diante do risco de a atual gestão deixar para o próximo governo uma herança negativa, com passivos financeiros que acabem prejudicando os investimentos”, afirmou o deputado.

Segurança pública e necessidade de investimentos

Ao abordar a área da segurança pública, o deputado Delegado Tito Barichello criticou os resultados apresentados pelo Estado e defendeu mais investimentos no sistema penitenciário, nas forças policiais e em políticas de prevenção à violência. “Eu sou da área da segurança pública, e a segurança pública no Paraná vai de mal a pior”, declarou.

Entre os pontos levantados, o parlamentar destacou a necessidade de construção de uma penitenciária de segurança máxima. Como justificativa, citou as apreensões recorrentes de aparelhos celulares em unidades prisionais paranaenses, situação que, segundo ele, evidencia a continuidade da atuação de organizações criminosas dentro dos presídios.

“Nós precisamos urgentemente de uma penitenciária de segurança máxima. A prova disso é que todas as ações policiais nas penitenciárias do Estado do Paraná recolhem, a cada vez, centenas de celulares”, afirmou.

O deputado também questionou os indicadores de homicídios e comparou os números que mencionou durante a audiência com os de outros estados. Segundo Barichello, o Paraná precisa avaliar seus resultados tendo como referência unidades da Federação com indicadores menores de violência letal.

“A média no Brasil é de 19 mortes por 100 mil habitantes, o Paraná tem 15, e muitos dizem: ‘Ah, então o Paraná é um lugar seguro?’ Não. Nós estamos apanhando de Santa Catarina. Santa Catarina tem sete mortes para cada 100 mil habitantes. Nós, 15, o dobro”, declarou.

O parlamentar também mencionou a situação de Paranaguá e manifestou preocupação com a atuação de organizações criminosas no município e em outras cidades paranaenses.

Remuneração dos policiais também é questionada

Outro tema abordado pelo deputado foi a remuneração dos profissionais da segurança pública. Barichello citou o valor de R$ 3.795,18 como remuneração inicial de um praça da Polícia Militar do Paraná, conforme declarou durante a audiência, e questionou se as condições oferecidas pelo Estado são compatíveis com a importância da atividade policial. “Será que esse é o Estado que cuida, que protege? Eu acho que não”, afirmou.

Para o parlamentar, a discussão sobre a segurança pública precisa incluir não apenas os investimentos em estrutura e equipamentos, mas também as condições de trabalho e a valorização dos profissionais responsáveis pelo policiamento e pela proteção da população.

Deputado cobra respostas sobre as contas públicas

Ao tratar especificamente da situação fiscal, Barichello citou números que, segundo ele, demonstram uma deterioração do resultado orçamentário do Paraná. O deputado afirmou que o resultado negativo teria passado de R$ 130 milhões, em agosto de 2025, para R$ 4,282 bilhões no período mencionado durante sua manifestação.

Diante desse cenário, apresentou quatro questionamentos ao secretário da Fazenda em exercício: quanto do montante corresponde a obras, contratos e convênios cuja execução e pagamento ficarão para 2027; qual é a disponibilidade financeira efetiva, discriminada por fonte de recursos, para honrar essas obrigações; quanto dessas despesas já possui cobertura financeira assegurada e quanto dependerá da arrecadação futura; e qual será o volume de restos a pagar, processados e não processados, que poderá ser transferido para a próxima gestão estadual. “Eu gostaria que o senhor me respondesse as perguntas de forma objetiva”, cobrou o deputado.

Parlamentar volta a cobrar esclarecimentos

Após a manifestação do secretário, Barichello voltou à tribuna e afirmou que os questionamentos apresentados não haviam sido respondidos de maneira objetiva. “Senhor secretário, data máxima vênia, o senhor não respondeu nenhuma das quatro perguntas”, declarou, retomando os pedidos de informações sobre obrigações financeiras, disponibilidade de recursos e restos a pagar.

Na sequência, o deputado voltou a criticar os indicadores de segurança pública e defendeu a comparação dos resultados do Paraná com os de estados que, segundo os números citados por ele, apresentam índices menores de homicídios. “Nós temos que nos comparar ao que há de melhor, e estamos perdendo em números”, afirmou.

Fazenda destaca planejamento fiscal e compromissos financeiros

Durante a audiência, o secretário da Fazenda em exercício, Luiz Paulo Budal, apresentou informações sobre a situação fiscal do Estado e atribuiu o desempenho das contas ao planejamento adotado nos últimos anos. Segundo ele, a manutenção de recursos em caixa contribui para assegurar a continuidade dos serviços públicos e viabilizar investimentos em áreas essenciais, como saúde, educação e segurança.

Budal também explicou que parte dos recursos disponíveis possui destinação específica e que os compromissos formalmente assumidos deverão ser considerados na programação financeira estadual. Em relação a 2027, ressaltou que os valores ainda são estimativas e dependerão do encerramento das contas de 2026.

A audiência permitiu aos parlamentares questionar a capacidade financeira do Estado para cumprir obrigações já assumidas e manter investimentos durante a transição administrativa. Para Barichello, os esclarecimentos sobre o orçamento e a destinação dos recursos são fundamentais para avaliar as condições de financiamento da segurança pública e das demais áreas essenciais nos próximos anos.

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Por Assessoria de Comunicação: Andrea Quadros

Foto: Alep